
Marcos do Desenvolvimento Infantil
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Os primeiros 72 meses da criança, sob a lente de dois precursores






O desenvolvimento do seu filho é, desde o primeiro dia, um evento individual que não segue um
padrão pré-determinado. Talvez ele aprenda aos 8 meses, talvez aos 18 meses — ambos
são normais. Sobre isso, foram estabelecidos marcos no desenvolvimento. Seu filho se adaptará
à sua personalidade e ao seu estilo de vida. A "imitação" lhe permite participar, porque ele só quer
uma coisa: pertencer e participar da vida humana. Sua herança genética, seu comportamento
aprendido e sua evolução individual o ajudam a se tornar uma personalidade única.
— Dr. Richard Michaelis
A citação acima retrata o desenvolvimento infantil pelo olhar do pediatra e professor alemão Dr. Richard Michaelis (1931–2017), pioneiro da neurologia infantil. Ele foi fundador e, por muitos anos, diretor médico do Departamento de Neuropediatria, Neurologia do Desenvolvimento e Pediatria Social da Universidade de Tübingen, na Alemanha.
Antes mesmo do surgimento dos centros pediátricos sociais no país, ele se dedicava não apenas aos sintomas neurológicos, mas também ao desenvolvimento motor e cognitivo, diagnosticando padrões cerebrais na infância. Michaelis era requisitado internacionalmente como palestrante, tendo publicado diversos livros especializados e guias acessíveis para pais.
Compreensão inovadora do desenvolvimento infantil
Die ersten fünf Jahre im Leben eines Kindes (Os primeiros cinco anos na vida de uma criança) foi escrito, por exemplo, para apresentar o desenvolvimento inicial das crianças sob uma perspectiva diferente da normalmente observada. Seu trabalho inspira profissionais da saúde infantil e orienta pais que desejam acompanhar de perto o crescimento dos filhos, identificando possíveis atrasos em qualquer área.
Já na década de 90, o Dr. Michaelis preocupava-se com a questão da identificação precoce e a abordagem de anomalias relevantes à evolução infantil, principalmente no contexto da avaliação por pediatras. Os “Marcos divisórios do desenvolvimento” (em alemão: Grenzsteine der Entwicklung), elaborados e teoricamente justificados por ele, indicam a idade em que determinado objetivo do desenvolvimento costuma ser alcançado, mesmo por crianças que estejam se desenvolvendo lentamente, de forma típica. Todavia, não detalham quais etapas anteriores foram usadas para que esse objetivo fosse atingido nem pressupõem um processo “passo a passo”; cada criança tem seu próprio ritmo.
A maioria das tabelas, na época, indicava o crescimento infantil em etapas. “Se assim fosse — argumentou o médico — não seria possível fornecer prazos válidos para cada criança em relação aos estágios individuais.” Ainda assim, ele considerava que algumas orientações sobre o uso das tabelas eram necessárias.

Dr. Richard Michaelis (1931 - 2017)
Com estudos de caso e gráficos, demonstrou cientificamente como o processo ocorre de maneira individual, bastante variável e adaptativa. Levava também em conta que o desenvolvimento infantil depende da cultura, já que a criança se ajusta às condições de vida em que nasce. Com essa abordagem, atestou que as crianças que cresciam na Alemanha e se desenvolviam sem particularidades perceptíveis o faziam, em cada etapa, dentro de um intervalo de tempo bastante amplo.

Autor do maior estudo longitudinal infantil
O suíço Remo H. Largo (1943–2020) foi outra referência importante para milhares de pais em busca de orientação. Professor de pediatria até se aposentar, em 2005, dirigiu por quase três décadas o Departamento de Crescimento e Desenvolvimento do Hospital Infantil de Zurique, na Suíça, onde, nos anos 1980, conduziu o mais importante estudo longitudinal sobre desenvolvimento infantil nos países de língua alemã.
Nesse período, seu conceito de "Marcos individuais do desenvolvimento" (em alemão: Meilensteine) ganhou ampla aceitação como diretriz, servindo de base para diversas intervenções diagnósticas e terapêuticas. Em sua obra-padrão Babyjahre (Anos do Bebê), Dr. Remo H. Largo descreve o desenvolvimento infantil nos primeiros quatro anos de vida, destacando a diversidade de comportamentos das crianças.
Dr. Remo H. Largo (1943–2020)
Babyjahre, Kinderjahre (Anos da Infância), Schülerjahre (Anos Escolares), entre outros títulos de sua autoria, são long-sellers — livros que permaneceram por longo tempo nas listas de mais vendidos — e tornaram-se clássicos da literatura educacional. Largo foi também reconhecido como um dos primeiros autores a valorizar a relação de confiança e afeto, em vez da autoridade rígida, na criação dos filhos.
Tive o prazer de conhecê-lo em 2011, no 12º Congresso para Educação e Instrução, realizado na Universidade de Göttingen, na Alemanha, quando o Dr. Karl Gebauer — também professor, escritor e um dos organizadores do evento — falou da alegria em tê-lo presente após tantos anos de espera. Em sua palestra, Dr. Remo H. Largo enfatizou que nenhuma criança deixa de fazer algo por falta de vontade ou por depender de outra pessoa, mas sim porque ainda não adquiriu a habilidade necessária. Argumentou ainda que, após atender mais de duas mil crianças, nunca conheceu uma sequer que não desejasse se tornar independente.
Segundo ele, educadores tinham ideias muito diferentes sobre como conduzir a educação infantil:
"Para alguns, essa tarefa consistia em apoiar a criança no desenvolvimento de suas capacidades e ensiná-la a adquirir habilidades e conhecimentos; para outros, significava, acima de tudo, ensinar regras e valores do convívio social, tornando-a um ser social capaz de se afirmar na comunidade. Para a maioria, educação ainda significava orientar e dar ordens à criança."
Independentemente do estilo adotado, nenhuma mãe ou pai poderia se esquivar da necessidade de impor limites:
"Mesmo os mais experientes não conseguem evitar o estabelecimento de limites para os filhos. Além do estilo, a idade e a personalidade da criança desempenham papel de extrema importância."
Há crianças que são, por natureza, mais fáceis de orientar e mais propensas a atender a pedidos do que outras.
A importância que os pais atribuem à obediência na criação dos filhos é influenciada por muitos fatores.
Além das expectativas sociais, as conversas com parentes e amigos, os livros e a televisão desempenham um
papel importante. Somam-se a isso as experiências e os valores que os pais tiveram com seus próprios pais
quando crianças e que eles internalizaram — em grande parte, inconscientemente.
— Dr. Remo H. Largo
Marcos divisórios e marcos individuais: diferenças
Os marcos do desenvolvimento (Meilensteine), que se tornaram "a marca registrada" do Dr. Remo Largo, indicam a média de casos (50%) em que uma determinada etapa do desenvolvimento é atingida. Um marco individual ou evolutivo é o ponto no tempo em que a criança completa, pela primeira vez, uma etapa específica, como, por exemplo, começar a andar. Sabe-se que fases podem ser "puladas" — estudos mostram que cerca de 15% das crianças não engatinham, mas apresentam formas alternativas de desenvolvimento, como sentar e deslizar (variante chamada de "arrastar").
No entanto, os estudos longitudinais de Zurique, nos quais mais de 900 crianças tiveram seu desenvolvimento documentado desde o nascimento até a idade adulta, de acordo com critérios definidos, mostraram que o desenvolvimento ocorre em uma ordem geneticamente determinada para cada criança. Assim, aprender a sentar-se precede aprender a andar, embora varie muito, individualmente, o mês em que a criança começa a correr (o tempo), bem como a forma como o faz — se de maneira mais contida ou com entusiasmo (a manifestação dessa característica).
Com base em sua experiência científica e clínica, Dr. Remo H. Largo desenvolveu o Fit-Prinzip (princípio do ajuste), demonstrando que este é igualmente válido para crianças e adultos:
"... o princípio se aplica tanto à bactéria quanto aos seres humanos. Cada ser vivo é único e busca encontrar o maior grau possível de harmonia com seu ambiente."
Estava claro para ele que pais e especialistas em educação — tanto na creche quanto no jardim de infância e na escola — só poderiam atender à individualidade das crianças se conhecessem suas necessidades básicas (como a necessidade de segurança), bem como suas competências individuais (linguísticas, motoras, sociais, entre outras).
Ele traduziu as descobertas científicas sobre o desenvolvimento das crianças de forma compreensível para os pais, que eram incentivados a acompanhar o desenvolvimento de seus filhos com serenidade — orientados pelo ritmo de desenvolvimento e pelo perfil de talentos. Largo não queria ensinar os pais nem dar-lhes conselhos. Seu objetivo era torná-los "competentes e independentes". (FUERKINDER.ORG, 2020).
Os marcos de desenvolvimento (Grenzsteine), estabelecidos pelo Dr. Richard Michaelis, devem ser distinguidos dessa abordagem. Um marco divisório ou marco-limite indica o ponto no tempo em que quase todas as crianças (por exemplo, 90%) alcançaram uma etapa específica. Mais precisamente: aos 18 meses de idade, 90% das crianças conseguem andar livremente — essa idade é, portanto, um marco importante para a locomoção precoce. Esses marcos funcionam como um sistema de alerta precoce ('bandeira vermelha'), fornecendo indicações de que investigações diagnósticas adicionais devem ser realizadas, caso a criança não os tenha atingido. (SPRINGERMEDIZIN.DE, 2022).
O conhecimento detalhado dos marcos divisórios é essencial na formação em pediatria, pois pais frequentemente levam seus filhos a consultas, comparam-nos a outras crianças e perguntam se o desenvolvimento está dentro do esperado. Além do mais, as crianças passam regularmente por exames preventivos que mostram o estágio em que se encontram.
Em 2013, Michaelis publicou pela primeira vez uma sistemática de formulários de marcos do desenvolvimento — inicialmente pensada para a prática pediátrica — para crianças de 3 meses a 6 anos. O uso dessas planilhas em instituições da área de educação infantil, na Alemanha, também se mostrou eficaz e, desde então, consolidou-se.
Visão geral dos marcos do desenvolvimento (segundo Michaelis)
— Indicadores revisados e complementados pela Dra. Renate Berger, médica especialista em pediatria e neurologia do desenvolvimento, com o apoio da equipe do Dr. Michaelis, e publicados em 2025 pela editora Herder, como Manual de Observação e Avaliação do Desenvolvimento Infantil de Crianças de 0 a 6 anos. O manual inclui também formulários para aplicação prática.
Os marcos referentes aos 3 e 15 meses (presentes apenas na obra original) foram mantidos aqui, seguindo a organização do autor, devido ao seu valor histórico.
Desenvolvimento da motricidade ampla

3 meses
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Na posição prona (de barriga para baixo), levanta a cabeça, apoiando-se levemente sobre os antebraços
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Apresenta, tanto em repouso quanto em movimento, posturas e movimentos simétricos e alternados dos braços e das pernas
6 meses
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Na posição supina (de barriga para cima), a criança apresenta, tanto em repouso quanto em movimento, posturas e movimentos que, no conjunto, são simétricos, embora também alternados
Nota da redatora: Alguns autores chamam a atenção para a elevada maleabilidade do crânio do bebê, o que pode favorecer deformidades, especialmente quando a criança permanece por longos períodos na mesma posição. A assimetria craniana é um dos motivos mais frequentes de preocupação dos pais nos primeiros meses de vida, pois podem perceber que um lado da cabeça parece diferente do outro (ou um pouco achatado) e não sabem se isso é normal ou se requer avaliação. Essa condição geralmente está relacionada a pressões desiguais sobre o crânio, associadas a fatores biomecânicos, posturais ou neurológicos. Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de correção rápida e completa.
-
Na posição prona (de barriga para baixo), a criança eleva a cabeça, apoiando-se na parte anterior dos antebraços, com as mãos abertas
9 meses
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Senta-se sem apoio, sem usar as mãos
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Vira-se de forma independente e fluida da posição supina para a posição prona e vice-versa
12 meses (1 ano)
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Locomoção bem coordenada no chão (rasteja, engatinha ou em “passo do urso”)
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Segurando-se em paredes ou móveis, consegue ficar em pé e dar alguns passinhos com segurança
15 meses (1 ano e 3 meses)
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Anda com apoio (segurando-se)
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Passa sozinho da posição supina ou prona para a posição sentada
18 meses (1 ano e meio)
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Anda livremente, por tempo prolongado. Para manter o equilíbrio, ainda pode apresentar: pernas ligeiramente afastadas, postura não totalmente ereta e braços um pouco afastados
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Consegue pegar objetos do chão, flexionando-se ou agachando-se, sem perder o equilíbrio
24 meses (2 anos)
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Sobe e desce escadas, com passo ajustado (um pé por vez no mesmo degrau), segurando-se no corrimão ou na mão de um adulto.
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Corre com equilíbrio seguro e consegue contornar obstáculos
36 meses (3 anos)
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Consegue saltar do degrau mais baixo da escada com ambos os pés, mantendo o equilíbrio com segurança
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Corre com balanço visível dos braços, desvia-se de obstáculos e consegue parar repentinamente sem perder o equilíbrio
48 meses (4 anos)
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Triciclos ou veículos semelhantes são conduzidos de forma intencional e segura: a criança pedala e dirige ao mesmo tempo, contornando obstáculos com habilidade
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Consegue subir escadas com degraus alternados, sem se segurar
60 meses (5 anos)
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Consegue ficar em pé, com segurança, sobre a perna esquerda ou direita por cerca de 10 segundos
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Bolas maiores (diâmetro de cerca de 20 cm), lançadas a aproximadamente 2 metros, são apanhadas com segurança usando mãos, braços e corpo
72 meses (6 anos)
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Consegue subir e descer escadas com segurança, trocando as pernas, sem se apoiar nas mãos
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Pula de forma fluida e segura sobre cada perna, 8 a 10 vezes
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Apanha a bola com segurança (tamanho aproximado ao de uma bola de futebol) e a arremessa com precisão
Desenvolvimento da motricidade fina (mãos e dedos)

3 meses
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Mãos e dedos podem ser espontaneamente aproximados sobre a região central do peito
6 meses
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Na posição supina (de barriga para cima), a criança transfere ativamente um pequeno objeto de uma mão para a outra
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Executa uma pegada direcionada, com ênfase no polegar (pegada radial ou de punho radial)
Nota da redatora: O polegar se move em direção ao dedo indicador, a partir de uma posição afastada. Inicialmente, os movimentos de pega incluem toda a palma da mão (pegada em punho), seguida pela pegada radial, depois a pegada em tesoura, a pinça incompleta e, finalmente, a pinça completa.
9 meses
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Pegada em tesoura: pequenos objetos são segurados entre o polegar estendido e o dedo indicador mais ou menos estendido.
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Pegada direcionada usando toda a mão direita e a mão esquerda (aperto de punho)
12 meses (1 ano)
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Apanha intencionalmente pequenos objetos usando um movimento de pinça incompleto (polegar e indicador flexionados, ainda sem usar as pontas dos dedos).
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Apanha objetos intencionalmente com os dedos da mão direita e da mão esquerda
15 meses ( 1 ano e 3 meses)
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Consegue pegar pequenos objetos, fiapos, fios ou grãos usando as pontas do polegar e do indicador
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Consegue empilhar dois blocos (com borda de aproximadamente 2 a 3 cm) quando solicitado e mostrado como fazê-lo
18 meses (1 ano e meio)
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Realiza uma pegada de pinça precisa
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Objetos segurados com a mão podem ser entregues mediante solicitação
24 meses (2 anos)
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Segura o lápis de colorir com o punho fechado ou com pegada de pincel (usando os três primeiros dedos)
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Consegue desembrulhar balas ou pequenos objetos embalados
36 meses (3 anos)
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Páginas finas de livros ou jornais são cuidadosamente viradas, uma de cada vez
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Utiliza uma pegada segura com a ponta de três dedos (polegar, indicador e médio) para manipular pequenos objetos com precisão
48 meses (4 anos)
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Segura corretamente o lápis de colorir ou de desenho com as pontas dos três primeiros dedos
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Desenha figuras com formato de cabeças e pés ou homenzinhos, assim como objetos como casas, árvores, flores e carros, embora muitas vezes ainda de forma desajeitada e incompleta
60 meses (5 anos)
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Consegue cortar quase exatamente uma linha reta no papel usando uma tesoura infantil
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Letras isoladas, números ou o próprio nome podem ser escritos em letras maiúsculas (ainda que às vezes invertidos)
72 meses (6 anos)
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Objetos como casas, árvores, “homenzinhos” e carros podem ser pintados de forma reconhecível
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Realiza atividades de artesanato envolvendo dobraduras, corte, colagem e até o uso de fita adesiva
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O lápis ou caneta repousa sobre o dedo médio e é guiado pelo polegar e indicador (pegada escolar típica)
Desenvolvimento da consciência corporal (capacidade da criança de perceber, identificar e controlar o próprio corpo)

72 meses (6 anos)
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Partes menores do corpo podem ser mostradas e nomeadas quando perguntado, como dedos, dentes, nariz, orelhas, queixo, joelhos e cotovelos
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Consegue distinguir direita e esquerda quando solicitado, por exemplo: “Onde está a orelha direita?”; “Onde está a perna esquerda?”; “Qual é a mão direita? Qual é a mão esquerda?”
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Consegue balançar e equilibrar-se com segurança e sem medo em diferentes situações, como em parquinhos infantis, sobre pequenas muretas ou troncos de árvores caídos em bosques
Desenvolvimento da linguagem e da fala

3 meses
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A criança apresenta choro diferenciado, expressando claramente diferentes necessidades (fome, desconforto, dor).
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Emite sons (vocalizações) sem movimentos labiais significativos
6 meses
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Vocalização espontânea, monológica e variada, sem sons com fechamento total dos lábios
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Vocalização dialogada (“diálogos do bebê”): quando lhe dirigem a palavra de forma afetuosa, responde com suas próprias vocalizações
9 meses
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Vocalização espontânea de cadeias silábicas mais longas, predominantemente com vogais “a/e” e sons com fechamento labial (ex.: ba-ba-ba-ba, da-da-da-da)
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Vocalização pré-verbal dialogada quando lhe dirigem a palavra de forma afetuosa
Nota da redatora: antes de falar as primeiras palavras, a criança desenvolve a linguagem pré-verbal — formas de comunicação que antecedem a fala e são essenciais para o desenvolvimento da linguagem. A ausência ou o pouco desenvolvimento dessa habilidade pode indicar dificuldades na aquisição da linguagem.
12 meses (1 ano)
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Reduplicação de sílabas claramente articuladas, como ga-ga, ba-ba, da-da
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Imita sons e ruídos familiares, bem como sílabas que ouve
15 meses (1 ano e 3 meses)
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Consegue produzir sílabas repetidas bem definidas (da-da, ga-ga, ba-ba), quase sem repetição contínua de sílabas.
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Mantém conversas animadas, espontâneas e dialógicas com outra pessoa
Nota da redatora: o marco de 15 meses está descrito junto aos marcos de 12 e 18 meses, pois os estudos recentes sugerem que
estas habilidades emergem entre esses períodos.
18 meses (1 ano e 6 meses)
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Produção vocal animada, com “conversas” dialogadas com a pessoa de apego
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Usa “mamãe” e “papai” e pelo menos mais 1–2 palavras adicionais (também em linguagem simbólica, ex.: au-au, nam-nam)
24 meses (2 anos)
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Linguagem de uma palavra (além de “mamãe” e “papai”, cerca de 20 palavras diferentes)
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Frases de duas palavras, como “mamãe vem”, são produzidas de forma compreensível
36 meses (3 anos)
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Formula frases de 3 a 5 palavras (combinação de substantivos, verbos auxiliares, preposições e adjetivos)
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Pronúncia fluente, sem alterações perceptíveis
48 meses (4 anos)
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Pequenos acontecimentos/histórias são relatados em ordem cronológica e lógica, de forma geralmente correta, ainda frequentemente com ligações do tipo “e depois… e depois…”
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Pronúncia fluente, sem alterações perceptíveis
60 meses (5 anos)
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Relata acontecimentos ou histórias em frases curtas, com gramática correta, em ordem cronológica e lógica adequada.
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Pronúncia fluente, sem alterações perceptíveis
72 meses (6 anos)
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Produz frases com estruturas gramaticais corretas, incluindo pequenas orações subordinadas, que domina com segurança.
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Relata experiências e acontecimentos de forma fluente, em ordem cronológica e lógica correta, frequentemente acrescentando comentários próprios de forma espontânea
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Pronúncia fluente e sem alterações de todos os sons vocálicos e consonantais, incluindo /r/, /s/ e “ch”
Desenvolvimento cognitivo (capacidade de absorver conhecimento)

3 meses
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Demonstra atenção.
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Pequenos objetos ou brinquedos coloridos, movidos lentamente diante dos olhos, são seguidos visualmente pela criança, ainda que apenas por pouco tempo e a curta distância
6 meses
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Objetos ou brinquedos são agarrados com as duas mãos, colocados na boca e roídos
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Objetos que se movem lentamente no campo de visão são seguidos atentamente, com os olhos coordenados
9 meses
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Conhece bem rotinas diárias (alimentação, banho, troca de fraldas, saída de casa) e pequenas brincadeiras compartilhadas (como cavalinho ou esconde-esconde); demonstra expectativas e gosta de participar
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Pequenos objetos ou brinquedos são alternadamente apanhados, explorados cuidadosamente com um ou mais dedos e, ocasionalmente, também com os lábios e a boca
12 meses (1 ano)
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Objetos ou brinquedos cobertos diante dos olhos da criança são descobertos por ela ao puxar o pano
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Imita pequenos gestos e expressões faciais (ex.: aceno, trechos de canções infantis; sopra para apagar velas ou flores, como o dente-de-leão)
15 meses (1 ano e 3 meses)
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Explora objetos ou brinquedos de forma simples: batendo, sacudindo, enfileirando ou acoplando
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Sabe que pessoas, animais e plantas são seres vivos, com comportamentos diferentes dos objetos
18 meses (1 ano e 6 meses)
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Brinca de forma simbólica ou faz de conta, imitando atividades como alimentar, trocar fraldas ou colocar para dormir bonecas/bichos de pelúcia
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Quando questionada, aponta para objetos, animais, plantas e atividades conhecidas, em livros ilustrados
24 meses (2 anos)
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Empilha blocos de construção ou objetos semelhantes (pelo menos três)
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Concentra-se em arrumar e desarrumar objetos ou brinquedos em recipientes ou gavetas por cerca de 10 minutos. Durante isso, observa e explora os objetos individualmente com atenção
36 meses (3 anos)
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Pinta e rabisca, mesmo que os desenhos ainda contenham poucos elementos ou sejam pouco preenchidos; quando questionada, comenta o que pintou ou o que o desenho representa
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Brinca de forma concentrada e intensiva, por pelo menos 30 minutos com bonecas, carros, blocos de montar, Lego, Playmobil ou outros brinquedos
48 meses (4 anos)
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Faz muitas perguntas com pronomes interrogativos (“quem”, “o que”, “por que”, “quando”, “onde”)
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Objetos idênticos, mas de tamanhos diferentes, podem ser distinguidos e nomeados (ex.: tomates grandes e pequenos, blocos de construção grandes e pequenos)
60 meses (5 anos)
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Reconhece e nomeia cores básicas (azul, verde, vermelho, amarelo, preto, branco)
Nota da redatora: As cores podem ser classificadas de diferentes formas. Tradicionalmente, azul, vermelho e amarelo são chamados de cores primárias, por não resultarem da mistura de outras cores; por isso, também são conhecidas como “cores puras”. As demais, formadas pela combinação de duas dessas cores (por exemplo, azul + vermelho ou vermelho + amarelo), são chamadas de cores secundárias.
Hoje sabemos que essa tríade tradicional (azul, vermelho e amarelo) não é ideal para todas as misturas de cores. Como as cores existem em função da luz, foram desenvolvidos dois sistemas principais: o sistema aditivo e o sistema subtrativo.
No sistema aditivo, as cores primárias da luz são vermelho, verde e azul; quando combinadas, produzem luz branca. Já no sistema subtrativo, as cores primárias são amarelo, magenta e ciano; sua mistura resulta em preto, ou seja, na ausência de luz.
A síntese aditiva (RGB, do inglês red, green, blue) é utilizada em telas eletrônicas, enquanto a síntese subtrativa (CMYK, do inglês cyan, magenta, yellow e key, que representa o preto) é usada na indústria gráfica.
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Conhece termos genéricos: animais, plantas, alimentos, roupas, veículos, estações do ano; pode ser questionada usando livros ilustrados
72 meses (6 anos)
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Reconhece e nomeia formas geométricas básicas: círculo, triângulo e quadrado (pré-desenhadas ou mostradas como modelo ou molde)
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Brinca construtivamente com Lego ou outros elementos semelhantes, inclusive seguindo modelos
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Pinta “homenzinho” com cabeça e tronco separados, cabeça com olhos, nariz e boca, tronco com braços, mãos e dedos, pernas com pés e dedos, ainda pouco diferenciados ou apenas sugeridos
Desenvolvimento da competência social

3 meses
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A criança sorri para rostos conhecidos e desconhecidos
Nota da redatora: trata-se do chamado sorriso social
6 meses
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Mantém contato visual estável, não apenas momentâneo
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Sorri para o rosto voltado para ela, de pessoas conhecidas e desconhecidas
9 meses
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Distingue entre pessoas conhecidas e desconhecidas; pode não apresentar estranhamento evidente, mas demonstra certa reserva
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Alegra-se com a presença de outras crianças
12 meses (1 ano)
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Inicia, por si mesma, contato com pessoas de apego, sendo capaz de mantê-lo e encerrá-lo
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Aponta com o dedo indicador ou direciona o olhar para objetos, pessoas ou animais, com o objetivo de compartilhar interesse com a pessoa de apego (atenção compartilhada/triangulação)
15 meses (1 ano e 3 meses)
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Em interação com a pessoa de apego, participa com entusiasmo e por períodos prolongados de brincadeiras com rimas curtas, jogos com as mãos e brincadeiras de imitação (como “cadê–achou”)
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Utiliza comportamentos positivos ou negativos de forma intencional para tentar influenciar ou modificar o comportamento da pessoa de apego
18 meses (1 ano e 6 meses)
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Demonstra interesse pelas brincadeiras de outras crianças; ainda não há brincadeira conjunta, predominando o brincar paralelo (lado a lado)
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Compreende e, na maioria das vezes, atende ao comando “não”
24 meses (2 anos)
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Puxa a pessoa de apego pela mão ou pela roupa para levá-la ao local desejado
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Busca interação ativa e comunicativa com outras crianças
36 meses (3 anos)
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Brinca com outras crianças por pelo menos 20 minutos, com comunicação verbal e troca de objetos
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Demonstra interesse em ajudar em tarefas domésticas, dentro do que lhe é possível
48 meses (4 anos)
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Compreende regras de jogos, incluindo que outras crianças também têm sua vez
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Integra-se de forma adequada a grupos de crianças conhecidos, sem tender a dominar, a se recusar a participar ou a se isolar
60 meses (5 anos)
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Consegue compartilhar brinquedos, doces e objetos semelhantes de forma justa com outras crianças
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Convida outras crianças (por ex.: para sua festa de aniversário) e também é convidada
72 meses (6 anos)
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Participa de brincadeiras de faz de conta mais elaboradas com outras crianças, assumindo papéis e seguindo o “roteiro” da brincadeira (por exemplo: polícia e ladrão, família, encenação de histórias ou vivências)
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Participa com entusiasmo de brincadeiras em grupo, como rodas, jogos competitivos e corridas
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Tem, por períodos (de várias semanas ou mais), um melhor amigo ou uma melhor amiga
Desenvolvimento da competência emocional

3 meses
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Choro com diferentes tonalidades emocionais (desconforto, decepção, expectativa)
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A criança alegra-se ao receber atenção e responde emocionalmente, em uma espécie de “diálogo”
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Em situações estressantes do dia a dia, deixa-se acalmar por volta de 10 minutos
6 meses
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Responde com vocalizações, contato visual, expressões faciais animadas, movimentos de braços e pernas a olhares e abordagens amigáveis de pessoas conhecidas
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Crises de choro apenas ocasionais, durante as quais pode ser acalmada em 10 a 20 minutos, sendo carregada, com conversa, canto suave ou embalo
9 meses
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Na maioria das vezes, a criança mostra-se emocionalmente estável e equilibrada
Nota da redatora: do ponto de vista da criança, isso ocorre quando suas necessidades são atendidas
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Em rotinas diárias ("roteiros"), reage com alegria ou relutância (por ex.: à mamadeira, à troca de fraldas, a ir para a cama)
12 meses (1 ano)
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Alegra-se com contato social, toque, afeto e aconchego
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A separação da pessoa de apego pode ser tolerada ou vivenciada como emocionalmente negativa (choro, frustração, insegurança), mesmo quando permanece com pessoa conhecida
15 meses (1 ano e 3 meses)
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Percebe a separação da mãe (ou pessoa de apego), reagindo com frustração, mas nem sempre com choro ou protesto intenso
Nota da redatora: Nesse contexto, um objeto transicional – conceito formulado pelo pediatra e psicanalista britânico Donald Woods Winnicott – pode assumir uma função de segurança para o bebê (por ex.: um bichinho de pelúcia, uma fralda ou um cobertor).
Escolhido por ele – e não imposto –, esse objeto ajuda a lidar com a ausência da figura de apego. Nos primeiros meses, em um estado de “dependência absoluta”, o bebê ainda não diferencia o “eu” do “não-eu”, sentindo como se “criasse” a mãe conforme sua necessidade.
Com o tempo, a mãe (ou cuidador) passa a não atender imediatamente a todas as necessidades da criança, o que gera pequenas frustrações e permite a ela perceber, pouco a pouco, a realidade externa.
O objeto transicional surge como uma ponte simbólica nesse processo, podendo ser levado para diferentes ambientes, inclusive para dormir, e sua perda pode gerar grande angústia. Em geral, não se recomenda lavá-lo sem o consentimento da criança, pois o cheiro e a textura fazem parte da sua “identidade”.
18 meses (1 ano e 6 meses)
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Pode se separar da pessoa de apego por 1 a 2 horas, se estiver sob os cuidados de alguém bem conhecido
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Em situações novas, busca segurança por meio de contatos visuais repetidos com a pessoa de apego (referência social), verificando aprovação ou desaprovação do que faz
24 meses (2 anos)
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Em situações de frustração cotidiana, geralmente consegue se acalmar em 3 a 5 minutos
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A criança consegue brincar sozinha por cerca de 15 a 20 minutos, sabendo que a pessoa de apego está por perto, mesmo fora do seu campo de visão
36 meses (3 anos)
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Pode permanecer por algumas horas sob os cuidados de pessoas conhecidas, sem a presença da pessoa de apego, inclusive fora de casa
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Em momentos de alegria, a criança mostra seu prazer por meio de mímicas e movimentos animados; nos de aborrecimento, reações corporais e faciais correspondentes
48 meses (4 anos)
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Em geral, apresenta equilíbrio emocional no cotidiano: sem hiperatividade persistente ou comportamentos desafiadores frequentes (ex: birras)
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Pode, ocasionalmente, passar a noite fora de casa com família conhecida
60 meses (5 anos)
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Ainda busca contato físico com a pessoa de apego em situações de aflição, cansaço, exaustão, doença ou estresse
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Consegue também relatar experiências emocionalmente difíceis, como situações embaraçosas ou frustrantes
72 meses (6 anos)
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Pode permanecer separada das pessoas de apego por vários dias, desde que sob cuidados de pessoas conhecidas e de confiança
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Consegue, na maior parte das situações, regular emoções positivas e negativas, demonstrando certa tolerância mesmo diante de grandes frustrações
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Demonstra empatia: tenta compreender emoções de uma outra crianca ou pessoa, e reage oferecendo ajuda ou conforto (teoria da mente)
Desenvolvimento do "eu" (autopercepção)

3 meses
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Demonstra claramente alegria ao receber atenção: sorri e expressa isso com movimentos vigorosos de braços e pernas
6 meses
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Passa a direcionar sua atenção para estímulos visuais e auditivos presentes no ambiente imediato
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Quando está no colo, utiliza ativamente a posição ereta para observar o ambiente ao seu redor
9 meses
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Apresenta características individuais que merecem ser consideradas, como: ser mais quieta ou mais ativa, mais alerta visualmente, mais voltada para pessoas ou mais reservada, podendo variar também no apetite e no sono
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Demonstra interesse em participar da vida familiar e em interagir com pessoas com quem possui vínculo, incluindo cuidadores e grupos (recreação, creche)
12 meses (1 ano)
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Gosta de se observar no espelho, ainda sem reconhecer a própria imagem
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Percebe que seu comportamento pode influenciar o da pessoa de apego; utiliza estratégias como charme ou resistência para alcançar o que deseja
15 meses (1 ano e 3 meses)
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Utiliza conscientemente comportamentos de “charme” para atrair atenção ou alcançar objetivos
18 meses (1 ano e 6 meses)
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Gosta de se observar no espelho, podendo ou não já se reconhecer
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Expressa a própria vontade por meio de palavras (“sim”, “não”), gestos e expressões faciais
24 meses (2 anos)
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Reconhece-se no espelho
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Recusa ajuda, de forma enfática, mesmo sem dominar completamente a tarefa; demonstra desejo de autonomia (quer fazer sozinha)
36 meses (3 anos)
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Refere-se a si mesma pelo próprio nome
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Reconhece-se em fotos, imagens e vídeos
48 meses (4 anos)
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Sabe se é menino ou menina, embora nem sempre apresente comportamentos associados a papéis de gênero (ex.: brincadeiras de faz-de-conta – troca de papéis)
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Refere-se a si mesma como “eu” e utiliza dois outros pronomes pessoais (você, ele, ela)
60 meses (5 anos)
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Tem consciência de sua identidade de gênero e pode expressá-la em seu comportamento
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Demonstra autoconfiança (por exemplo: gosta de falar sobre si, atender telefonemas, expressar opiniões e defendê-las)
72 meses (6 anos)
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Busca reconhecimento e aceitação de outras crianças; deseja pertencer ao grupo
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Pode desenvolver habilidades específicas e demonstra orgulho por isso
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Demonstra interesse pela escola, desejando aprender e participar do ambiente escolar (ou já o faz com prazer)
Desenvolvimento da independência (autonomia)

3 meses
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Reconhece os preparativos para a alimentação; demonstra expectativa clara e realiza movimentos preparatórios com a boca
6 meses
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Reconhece os preparativos para a alimentação e reage com interesse visível e movimentos animados
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Sinaliza claramente desconforto quando está com fome, aborrecida, cansada ou com a fralda molhada
9 meses
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Segura a mamadeira com as duas mãos enquanto bebe; ajusta sua posição quando o fluxo de leite não é adequado.
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Tenta, por iniciativa própria (sorrindo, vocalizando), estabelecer contato e chamar a atenção de pessoas ou outras crianças
12 meses (1 ano)
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Explora de forma intensa e motivada habilidades motoras já adquiridas ou em desenvolvimento
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Bebe de um copo, muitas vezes ainda com alguma ajuda
15 meses (1 ano e 3 meses)
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Quer tentar se vestir e despir sozinha
18 meses ( 1 ano e 6 meses)
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Remove intencionalmente peças como meias ou acessórios de cabeça (boné, chapéu, touca).
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Segura um copo cheio e bebe de forma independente, sem derramar
24 meses (2 anos)
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Come com colher, de forma independente, ainda com alguma imprecisão
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Demonstra interesse por interruptores de luz e aparelhos ao alcance, repetindo continuamente suas ações para explorar seu funcionamento
36 meses (3 anos)
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Consegue comer sozinha, com colher e garfo
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Imita atividades da pessoa de apego em si mesma ou em brincadeiras de faz-de-conta (troca de papéis)
48 meses (4 anos)
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Apresenta controle seguro da bexiga e do intestino durante o dia
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Consegue se vestir e despir sozinha, necessitando de ajuda apenas ocasionalmente
60 meses (5 anos)
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Apresenta controle completo da bexiga e do intestino; quando usa o banheiro, cuida dessas atividades sozinha
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Utiliza garfo e faca com segurança; consegue preparar alimentos simples (como pão e cereais)
72 meses (6 anos)
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Realiza, em grande parte, atividades de autocuidado sem ajuda, como lavar-se, tomar banho, pentear o cabelo e escovar os dentes
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Veste-se sozinha e calça os sapatos corretamente
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Consegue percorrer sozinha trajetos conhecidos (como ir à escola ou à casa de vizinhos) e realizar pequenas tarefas, respeitando regras básicas de trânsito.
Visão geral dos marcos do desenvolvimento (segundo Remo H. Largo) – os primeiros 48 meses

0–6 meses
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Sorri
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Ri
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Dorme a noite toda (6–8 horas)
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Vira de barriga para as costas
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Agarra objetos com as mãos
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Inicia a introdução alimentar (mingau)
6–12 meses
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Rasteja
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Engatinha
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Imita sons
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Senta-se sem apoio
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Fica de pé
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Realiza movimento de pinça
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Acena
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Produz vocalizações (ex.: “gugu-dada”)
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Estranha pessoas desconhecidas
12–24 meses
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Imita ações simples
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Observa livros ilustrados
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Enche e esvazia recipientes
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Constrói torres
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Fala as primeiras palavras (ex.: “mama”, “papa”)
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Reconhece partes do corpo (olhos, boca)
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Anda
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Alimenta-se com a família
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Bebe de um copo de forma independente
24–36 meses
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Brinca com bonecas
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Brinca com Lego e blocos de construção
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Usa o próprio nome
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Usa o pronome pessoal “eu”
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Formula frases de duas palavras
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Anda de triciclo
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Sobe e desce escadas sozinha
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Alimenta-se, sozinha, com colher
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Veste-se e despe-se de forma independente
36–48 meses
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Monta quebra-cabeças simples
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Desenha figuras humanas simples
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Compreende brincadeiras de faz de conta (interpretação de papéis)
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Fala com frases simples
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Utiliza plural
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Usa tempos verbais
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Ouve histórias (ex.: áudio/CD)
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Anda de patinete
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Anda de bicicleta com rodinhas ou de equilíbrio
Em resumo
O desenvolvimento do ser humano é um processo dinâmico, contínuo e individual, resultante da maturação — um processo biológico determinado pela genética, que ocorre em fases estabelecidas, como o crescimento e o desenvolvimento do cérebro e das conexões neuronais. Tomando como exemplo o desenvolvimento motor, a transição para a postura ereta (geralmente no segundo ano de vida da criança) ilustra um processo dependente da maturação.
Esta constitui um pré-requisito para o aprendizado, que é adquirido ativamente por meio das experiências. O ritmo e a intensidade desse fenômeno podem sofrer influência de fatores distintos — culturais, ambientais e nutricionais —, que atuam como moduladores da transformação contínua.
Os marcos do desenvolvimento, sejam eles divisórios ou individuais, configuram referências valiosas para observar e compreender o percurso de cada criança. Sistematicamente estruturados, seus indicadores permitem uma avaliação rápida das áreas mais relevantes e possibilitam a identificação de crianças com desenvolvimento atípico ou mais lento, evitando que passem despercebidas.
Como cada criança segue seu próprio ritmo, é fundamental acompanhar sua progressão ao longo do tempo, comparando-a consigo mesma e não com outras, com uma abordagem respeitosa que reforça os princípios defendidos por Michaelis e Largo.
Por fim, compreender os marcos do desenvolvimento como guias favorece uma prática educativa que abre condições — inclusive por meio da incorporação de novas estratégias — para que a criança evolua com confiança e autonomia.
Referência
MICHAELIS, R. Die ersten fünf Jahre im Leben eines Kindes: Wie sich ein Kind entwickelt – vom Baby bis zum Vorschulkind. Wie Sie das individuelle Entwicklungstempo erkennen. München: Knaur, 2006.
PIONIER der Kinderneurologie: zum Tode von Professor Dr. Richard Michaelis – ein Nachruf von Ingeborg Krägeloh-Mann. Newsletter Uni Tübingen aktuell, n. 2, 2017. Disponível em: https://uni-tuebingen.de/universitaet/aktuelles-und-publikationen/newsletter-uni-tuebingen-aktuell/2017/2/leute/4/. Acesso em: 1 maio 2025.
LARGO, Remo H. Babyjahre: Entwicklung und Erziehung in den ersten vier Jahren. München: Piper, 2010.
LARGO, Remo H. Kinderjahre: Die Individualität des Kindes als erzieherische Herausforderung. 21. ed. München: Piper, 2011.
JEDES Kind ist anders und einzigartig: Nachruf zu Remo H. Largo, Kinderarzt und Autor. In: JENNI, Oskar. Meilen- und Grenzsteine der Entwicklung – Was Kinderärztinnen und Kinderärzte wissen müssen. Monatsschrift Kinderheilkunde, n. 7, 2022. Disponível em: https://fuerkinder.org/blog/jedes-kind-ist-anders-und-einzigartig/. Acesso em: 1 maio 2025.
BERGER, Renate. Grenzsteine der Entwicklung nach Michaelis: Entwicklungsbeobachtung und -einschätzung von Kindern 0–6 Jahren. Versão 2025. Manual. Edição revisada e ampliada. Freiburg im Breisgau: Verlag Herder, 2025.
AIDAR, Laura. Cores primárias. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/cores-primarias/. Acesso em: 7 maio 2025.